O que eu vejo após a Manifestação do dia
8 de Março

- Foi, acima de tudo, uma manifestação de desagravo da classe face ao modo como vinha sendo tratada pelo Ministério da Educação mais do que uma reivindicação profissional.
- Os professores sentem-se, finalmente, respeitados pelos pais, alunos e população em geral.
- Ultrapassou largamente a esfera sindical, o que deitou por terra uma das principais acusações do Ministério.
- A classe está, finalmente, unida. Que fazer, agora, com esta união?
- Parece, finalmente, ultrapassado o preconceito de que o professor, por inerência da função, deve ser obediente e bem comportado.
- É de todo impensável uma solução idêntica à que foi encontrada para o Ministério da Saúde, visto que aí era toda uma população que começava a dar mostra de grande descontentamento, e não só os médicos ou os enfermeiros.
7. Se não fosse degradante, era altamente risível a forma embaraçada como os políticos ligados ao partido do governo tentam explicar o inexplicável, assim como degradante é a ignorância com que os partidos da oposição (?) falam do assunto. As únicas excepções são aqueles que têm em casa alguém da família a dar aulas...
8. Nenhuma das partes negociadoras (Ministério/Sindicatos) vai publicamente assumir algum recuo. Mas, na prática, será isso que vai acontecer. Por duas razões: primeiro, ao governo não interessa que o problema se arraste demasiado, entrando pelo ano eleitoral; segundo, aos sindicatos, pelo facto de a dinâmica da manifestação os ter ultrapassado, interessa não perder a face, dando a entender que um presumível acordo foi conseguido por seu intermédio. Por isso, um ACORDO, será um enorme FAVOR, que cada uma das partes fará à outra. Como sempre pensei, o problema só começaria a ser resolvido quando estivessem na mesa não só questões educacionais mas também políticas. INFELIZMENTE.
9. Ao longo dos anos, as assimetrias do mercado de trabalho trouxeram para o ensino muita gente que apenas queria um emprego e não uma profissão. Muitos deles ajudaram a criar uma imagem nem sempre abonatória para a classe, o que de certo modo tem sido hipocritamente aproveitado pelo governo para confundir na opinião pública a árvore com a floresta.
Mas em todas as florestas, bem lá no alto da copa das árvores há sempre um mocho que, sabiamente, vela pela classe. Na minha secretária, a servir de pisa-papéis tenho um mocho macho. Pronto a ser arremessado a uma certa fêmea, se necessário...
9. Ao longo dos anos, as assimetrias do mercado de trabalho trouxeram para o ensino muita gente que apenas queria um emprego e não uma profissão. Muitos deles ajudaram a criar uma imagem nem sempre abonatória para a classe, o que de certo modo tem sido hipocritamente aproveitado pelo governo para confundir na opinião pública a árvore com a floresta.
Mas em todas as florestas, bem lá no alto da copa das árvores há sempre um mocho que, sabiamente, vela pela classe. Na minha secretária, a servir de pisa-papéis tenho um mocho macho. Pronto a ser arremessado a uma certa fêmea, se necessário...
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