O alquimista

NEM TRANSMUTAÇÃO DE METAIS NEM ELIXIR DA LONGA VIDA - A PEDRA FILOSOFAL AO PODER

quinta-feira, janeiro 20, 2011

ÀS MOSCAS



Como já todos estamos carecas de saber, em tempo de crise, as estratégias, as linhas de acção, o que quer dizer, os critérios que condicionam as políticas de orientação de qualquer ministério são puramente ecomomicistas. É a forma mais fácil de governar. Os objectivos económicos estão lá, perfeitamente mensuráveis, palpáveis e de efeitos igualmente visíveis a curto prazo. Governar obedecendo a critérios e a concepções de ordem pedagógica é outra coisa que, sendo bem mais atractivo e reconfortante para os amantes da causa, é muito mais difícil e "vende" muito menos junto da opinião pública, constantemente bombardeada pela opinião publicada. 

Acresce o facto de que uma verdadeira política coerente na educação assente nos tais critérios pedagógicos necessita de muitos anos, por vezes gerações, para que os seus efeitos de façam sentir. E todos nós sabemos que a política é a arte do imediato. Churchill dizia que a diferença entre um político e um estadista era que enquanto um político pensa nas próximas eleições o estadista pensa nas próximas gerações. E, retirando alguns pouquíssimos exemplos a seguir ao 25 de Abril, hoje apenas temos políticos que assumem o curto prazo como forma de validarem as suas longas carreiras. E enquanto assim for, continuaremos a andar de mão estendida aos "mercados", a empurrar com a barriga os problemas financeiros que, na sua verdadeira essência, resultam de uma falta de cultura (política e da outra) que só um forte investimento na educação pode resolver... a longo prazo. 

Assim o fizeram outros países com os fundos europeus distribuídos há vinte anos, enquanto nós os "investíamos" em alcatrão e outros "projectos" sem retorno. Como dizia Guerra Junqueiro: "Somos um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas..."