O alquimista

NEM TRANSMUTAÇÃO DE METAIS NEM ELIXIR DA LONGA VIDA - A PEDRA FILOSOFAL AO PODER

domingo, fevereiro 25, 2007

ORFEU DA CONCEIÇÃO
«Mulher mais adorada!
Agora que não estás, deixa que rompa
O meu peito em soluços! Te enrustiste
Em minha vida; e cada hora que passa
É mais por que te amar, a hora derrama
O seu óleo de amor, em mim, amada...

E sabes de uma coisa? Cada vez
Que o sofrimento vem, essa saudade
De estar perto, se longe, ou estar mais perto
Se perto, – que é que eu sei! Essa agonia
De viver fraco, o peito extravasado
O mel correndo; essa incapacidade
De me sentir mais eu, Orfeu; tudo isso
Que é bem capaz de confundir o espírito
De um homem – nada disso tem importância
Quando tu chegas com essa charla antiga
Esse contentamento, essa harmonia
Esse corpo! E me dizes essas coisas
Que me dão essa força, essa coragem
Esse orgulho de rei. Ah, minha Eurídice
Meu verso, meu silêncio, minha música!
Nunca fujas de mim! Sem ti sou nada
Sou coisa sem razão, jogada, sou
Pedra rolada. Orfeu menos Eurídice...
Coisa incompreensível!
A existência
Sem ti é como olhar para um relógio
Só com o ponteiro dos minutos.
Tu
És a hora, és o que dá sentido
E direção ao tempo, minha amiga
Mais querida! Qual mãe, qual pai, qual nada!
A beleza da vida és tu, amada
Milhões amada! Ah! Criatura!
VINICIUS DE MORAES

5 Comments:

  • At 5:40 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Cai chuva do céu cinzento
    Que não tem razão de ser.
    Até o meu pensamento
    Tem chuva nele a escorrer.

    Tenho uma grande tristeza
    Acrescentada à que sinto.
    Quero dizer-ma mas pesa
    O quanto comigo minto.

    Porque verdadeiramente
    Não sei se estou triste ou não,
    E a chuva cai levemente
    (Porque Verlaine consente)
    Dentro do meu coração.

    Fernando Pessoa

     
  • At 8:01 da tarde, Anonymous Maria Alves Velho said…

    São graves
    Limpidamente graves
    Os sons do teu sussurro
    São leves e ternos
    Os beijos do vento
    que te fareja a pele
    ou será o odor ocre
    da tua alma encoberta
    tentadora de um beijo?
    Só um beijo, um sublime toque
    de desejo ou de amor
    o abismo épico da impossibilidade
    é a mãe de todos os sentidos!
    a sensação inabalavelmente incerta
    de que te vou amar
    uma noite, só uma noite
    é um gesto ténue de puro amor
    e não apenas desejo.

    Boa noite ao Alquimista, pintor da noite!

     
  • At 9:37 da tarde, Blogger MJ said…

    Bem...

    Esta caixa de comments, hoje, está com um nível!!!

    Basta eu não passar por cá durante umas horas e é o que se vê! :-))))

    Beijo lírico*

     
  • At 9:49 da tarde, Blogger alquimista said…

    Pois é, pois é, está a ficar muito fino ... :)

    Beijo Imperial

     
  • At 9:50 da tarde, Blogger alquimista said…

    Pois é, pois é, está a ficar muito fino ... :)

    Beijo Imperial

     

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